sexta-feira, 6 de setembro de 2013

TECNOLOGIA COMO FERRAMENTA EDUCATIVA

O cúmulo da cegueira é atingido quando as antigas técnicas são
declaradas culturais e impregnadas de valores, enquanto as novas são
denunciadas como bárbaras e contrárias à vida. Alguém que condena a
informática não pensaria nunca em criticar a impressão e menos ainda a
escrita. (LÉVY, 1999,p15) 

A teoria pedagógica tecnicista encarava a sociedade como um sistema harmônico e
funcional assim a tecnologia educacional era apenas um meio que não questionava as
finalidades. A partir dos anos 80 a tecnologia educacional passou a ser encarada como uma
ferramenta de educação inovadora e contextualizada com as questões sociais.
 (LEITE,POCHO,et al., 2010).

O uso da tecnologia no processo de ensino-aprendizado não se dá por simples 
substituição conforme afirma Pierre Lévy:
Que isto fique claro: a sucessão da oralidade, da escrita e da informática
como modos fundamentais de gestão social do conhecimento não se dá por
simples substituição, mas antes por complexificaçãoe deslocamento de 
centros de gravidade. (LÉVY,2010,p.10)

 

Flora Perelman, da Universidade de Buenos Aires, realizou um estudo com alunos do
equivalente ao 7° ano escolar brasileiro em 400 escolas da província de Buenos Aires.
 O estudo referido aponta cinco pontos essenciais a considerar antes de incentivar a pesquisa
 na internet para os alunos: 

• Compreender que a busca na internet é uma prática social de leitura; 

• Tomar consciência que o computador deve ser usado a o favor do aluno;

•  Aprender a escolher sites que têm o que se procura;

• Selecionar informações confiáveis; 

• Entender o peso da imagem no processo; 

As mídias eletrônicas permitem abordar conteúdos com maior abrangência e fazer a
ligação entre os mesmos de modo interdisciplinar. 

A consulta à informação é mais rápida,visto que pode ser realizada por 
 mecanismos de busca ou pela navegação em hiperlinks
Lévy (1999,p.28) entende que a cibercultura é dependente da inteligência coletiva, e esta
última favorece a aprendizagem cooperativa por meio de dispositivos informatizados que
auxiliam a colaboração e a coordenação descentralizada (os “groupwares”) o que permite que
pesquisadores e alunos troquem idéias, experiências sem limites geográficos. 

Educação aberta e à Distância (EAD)

A educação aberta e à distância (EAD) abre novas fronteiras para aqueles que não
possuem tempo, condições financeiras, ou que residem distante dos grandes centros. O EAD
utiliza as tecnologias citadas acima em complementação ou sobreposição de acordo com a
necessidade e disponibilidade de infra-estrutura tecnológica disponível ao aluno. O aluno
acessa as informações através de um aparelho conectado a internet em um portal educacional,
lê conteúdos em mídias eletrônicas e FAQs, participa ativamente em fóruns, listas, assiste a
webcastings, ouve podcastings, etc. Segundo Pierre Lévy, a educação à distância é um setor 
da educação particularmente interessante, pois é nele que é experimentado o maior número
 de novidades ao mesmo tempo técnicas e pedagógicas. É um setor em que existe um
a experimentação constante, e assim deveria ser em todos os setores da educação.
Para o autor as técnicas utilizadas na educação à distância vão cada vez mais ser utilizadas
na educação normal conduzindo a uma evolução da escola em direção a uma adaptação à
nova relação que está sendo instaurada com o saber.
O saber indefinido, o trabalho de transação de conhecimentos, a multiplicação das
 tecnologias intelectuais, etc. (informação verbal). 

Dependência 

Lévy (1999) fala em sua obra da dependência gerada pela tecnologia. Existem hoje clínicas especializadas no tratamento da dependência tecnológica. 
Assim como no vício das drogas, alguns ficam dependentes da navegação ou em
jogos em mundos virtuais e passam dar pouco valor as suas responsabilidades no mundo
real.

Isolamento

A dependência da tecnologia pode causar outro problema mais sério: o isolamento. A
criança ou adolescente pode passar tantas horas imerso no ciberespaço que acaba cortando os
laços sociais com as pessoas que o cercam.

Essa conduta é perigosa visto que enfraquece as habilidades interpessoais, empobrecendo
o convívio da pessoa com seus pares na família, escola e trabalho. Pode ser um dos fatores
coadjuvantes para o aparecimento de doenças psiquiátricas como a depressão e a ansiedade.
A escola não pode ser totalmente substituída (principalmente na educação infantil) devido
ao seu caráter socializante e a “pedagogicidade indiscutível da materialidade do espaço”
(FREIRE, 1996, p.45). É na escola que a criança descobre a importância do trabalho em
equipe e aprende a se relacionar com outras crianças. 

 As tecnologias, principalmente as de comunicação podem ser utilizadas como ferramentas 
para auxiliar o educador no processo de ensino-aprendizado. Suas características 
ágeis de busca, criação e divulgação da informação são muito positivas do ponto de vista técnico.
Como ferramentas, promovem a inovação, a interação, cooperação e a autonomia

 DANIEL DANTAS OYAMA

http://www.fatecsp.br/dti/tcc/tcc0020.pdf

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